O que diz regulamento da Justiça Desportiva sobre racismo? Jogadoras do Sport foram vítimas
Uma casca de banana foi arremessada ao banco de reservas do clube rubro-negro durante o jogo contra o Internacional pelo Brasileirão Feminino

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Mais um caso de racismo repercute no futebol! Desta vez, as vítimas foram atletas do Sport. Na partida diante o Internacional, na segunda-feira (31/03), pelo Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, arremessaram uma casca de banana em direção ao banco de reservas da equipe pernambucana.
As imagens da transmissão da TV Brasil flagraram o episódio (vídeo abaixo). O time rubro-negro classificou o caso como "covarde" e informou que registrou Boletim de Ocorrência (BO) para que haja punição.
O clube gaúcho confirmou que identificou um suspeito do ato e garantiu que, de maneira urgente, vai tomar as medidas cabíveis. Em campo, o confronto da 3ª rodada terminou empatado em 2 a 2.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acionou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A entidade cobrou apuração rigorosa dos fatos e uma punição preventiva ao Internacional.
Além disso, requereu também que o Colorado cumpra três partidas de portões fechados fora de Porto Alegre, capita do Rio Grande do Sul, até o julgamento do caso, que ainda não tem data marcada.
Regulamento do Código Brasileiro de Justiça Desportiva
O artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) prevê a punição de atos discriminatórios relacionados a raça. O clube punido perde três pontos, mas a pontuação não repassa para o rival.
Quem pode ser punido? Jogadores, clubes e torcedores. Quais as penalidades? Multa, perda de pontos, proibição de ingresso em estádios, entre outras. Abaixo, veja as notas dos envolvidos na história.
Art. 243-G (página 88) do CBJD
Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:
Pena: suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais).
1º Caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente.
2º A pena de multa prevista neste artigo poderá ser aplicada à entidade de prática desportiva cuja torcida praticar os atos discriminatórios nele tipificados, e os torcedores identificados ficarão proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias.
3º Quando a infração for considerada de extrema gravidade, o órgão judicante poderá aplicar as penas dos incisos V, VII e XI do art.
Nota oficial da CBF na íntegra
Logo após tomar conhecimento do suposto ato racista sofrido pelas atletas do Sport na partida contra Internacional, realizada nesta segunda-feira (31), pelo Campeonato Brasileiro Feminino A-1, em Porto Alegre, a CBF informa que enviou de imediato toda a documentação à Procuradoria-Geral do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) cobrando apuração rigorosa dos fatos.
A entidade pediu também punição preventiva ao clube gaúcho, caso seja confirmada a agressão racista. No pedido de abertura do inquérito, a CBF requereu que o Internacional cumpra três partidas de portões fechados fora da capital gaúcha até o julgamento da questão.
O episódio foi registrado pelas câmeras da TV Brasil. Nas imagens da emissora, é possível ver a quarta árbitra Andressa Hartmann recolhendo o pedaço de banana para registrar o caso em súmula após a reclamação das atletas do Sport.
“Vamos cobrar uma apuração rigorosa. Não existe mais espaço para racistas no futebol”, afirmou o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.
A CBF condena veementemente qualquer tipo de ação discriminatória no futebol e não tolera casos de racismo no esporte.
O combate ao racismo é uma das prioridades da CBF, a primeira confederação a implementar punição desportiva em seu Regulamento Geral de Competições para casos de preconceito.
Nota oficial do Sport na íntegra
O Sport Club do Recife vem a público repudiar, veementemente, a atitude covarde e racista de um torcedor do Sport Club Internacional, que arremessou uma banana em direção ao banco de reservas rubro-negro durante a partida do Campeonato Brasileiro Feminino, nesta segunda-feira (31), em Porto Alegre.
Esse ato repugnante é uma clara manifestação de racismo e intolerância, e não pode ficar impune. O Sport Club do Recife não tolera qualquer forma de discriminação ou preconceito e exige a punição exemplar do responsável.
Imediatamente após o lamentável episódio, o diretor de futebol feminino do Clube, Alessandro Rodrigues, dirigiu-se a delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência e aguarda os desdobramentos do caso, incluindo a responsabilização do envolvido.
É inaceitável que, em pleno 2025, ainda sejamos confrontados com episódios como esse. O futebol deve ser um espaço de respeito, inclusão e diversidade — nunca de ódio e intolerância.
O Sport Club do Recife prestará total apoio às jogadoras e à comissão técnica que foram alvo desse ato racista e reafirma seu compromisso inabalável na luta contra qualquer forma de discriminação.
Nota oficial do Internacional na íntegra
O Sport Club Internacional informa que, diante da gravidade dos fatos ocorridos na tarde desta segunda-feira (31/03), durante o jogo contra o Sport, pelo Brasileirão Feminino, conduziu uma apuração rigorosa que levou à identificação da pessoa envolvida e está tomando todas as medidas cabíveis.
O Clube do Povo solicitou, com urgência, as imagens ao local da partida para encaminhá-las aos órgãos competentes, a fim de contribuir com a apuração.
A Instituição reitera seu repúdio veemente a qualquer ato discriminatório e reafirma seu compromisso inegociável na luta contra todas as formas de preconceito, mantendo-se firme na promoção de um ambiente de respeito e igualdade dentro e fora de campo.
O Sport Club Internacional se solidariza com a equipe do Sport Recife, colocando-se ao seu lado na busca pela apuração dos fatos e no combate à discriminação. O futebol deve ser um exemplo de inclusão e respeito, dentro e fora das quatro linhas.